segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Não é o fim do mundo. Você não morreu. Muito provavelmente ele não irá morrer também. Você não está despedaçada como diz estar. Copos de vidro se despedaçam. CDs, celulares, óculos, computadores, aviões e carros, também, são destruídos. Mas você não. Pelo menos, não fisicamente. Pelo menos, não no sentido real. E a vida é real, né? Tem uns pingos de fantasia causados por sessões de comédias românticas e livros do Nicholas Sparks, mas a vida é real.Você tem a unha a fazer. Tem o cabelo a cortar. Tem aquele vestido novo que saiu no catálogo da tua loja predileta para comprar. Tem a casa para arrumar. Tem tuas amigas para te ouvir chorar e berrar um pouco – ou muito. E tem uns tantos outros amigos para te elogiarem quando você precisar de alguém falando que teus olhos castanhos são tão bonitos quando você não está com a maquiagem borrada por causa de lágrimas desnecessárias. Então, pra quê chorar?Há muitas garrafas de vodca, também, caso queira dar uns goles na loucura. Tua cabeça irá doer depois. Mas é ressaca. É uma resposta física do teu corpo sobre a quantidade de álcool que você ingeriu na noite anterior. Fique tranquila. Essa enxaqueca não é remorso, nem nada emocional. Chore, vomite e beba bastante água que você irá melhorar. Ou tome mais álcool que dizem funcionar também. A escolha é tua.A tua vida não se resumia a ele. Eu te juro de pé junto, isso. Você pode até se sentir incompleta, mas está aí, disposta, viva e respirando. Com algumas olheiras e umas ideias loucas a mais, mas está bem. O tempo cura tudo que o tempo pode curar. Daqui a pouco, ele vai ser só mais um rapaz com mãos bonitas e um cheiro gostoso que passou por tua vida. Você vai ver. Enquanto você chora por um cara, há mil outros caras esperando, apenas, uma chance para te fazer sorrir.Não sou nenhum aspirante a psicólogo-sei-tudo-sobre-as-pessoas. Acho Freud um saco e Jung um louco. Mas sobre o amor e teus sintomas, parece que eu já nasci com diploma e mestrado. Já amei demais quem nem gostou do meu cabelo bagunçado. Já amei de menos quem já sonhou comigo durante noites eternas de inverno. Já chorei como uma criança órfã e perdi dias de sol e noites estreladas. Mas não me destruí. Destruí porta-retratos, pratos, cartas e até aquele conjunto de tulipas do meu time predileto que ganhei no Natal. Mas meu coração ficou intacto. O teu também ficará.Logo, logo, aparecerá outro cara que gosta tanto de adoçante como você. Outro que também não consegue ficar uma noite inteira sem resolver alguma briga qualquer. Outro que te dará a mão e o mundo inteiro ao redor será anulado. Outro cara com cabelo bom para acarinhar e com olhos infantis. Outro com um sorriso talhado e com gosto musical estranho. Você vai ver. Vai senti-lo. Vai respirá-lo. E vai amá-lo como se fosse a primeira e a última vez. Porque o coração é uma casa forte e espaçosa e sabe, vez em quando, renovar seus moradores.Dói muito, mas passa. É bom saber que nenhuma dor é eterna, que vamos olhar pra trás e rir disso tudo depois, de como fomos bobas passando as noites em claro chorando.

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sexta-feira, 11 de abril de 2014



Parei de te amar, não de mentir.


Continuo mentindo ao dizer que te esqueci, que já não lembro de você e tuas sobrancelhas investigadoras-misteriosas-risonhas. Tuas sobrancelhas sempre me conheciam tão bem. Assim como teus pés que me diziam o que pensava: balançando demais é porque estava nervoso ou tenso – nunca entendi muito bem essa diferença.


Uma vez, você me explicou: nervoso é estar tenso por algo que deu errado. Tenso é estar nervoso por algo que pode dar errado – ou muito certo. Você sempre teve um quê ansioso-menino-homem às vésperas de um trabalho importante, de uma reunião chique ou de um jantar com meus pais.


Parei de pensar em você, não de mentir.


Digo, meio fingida fodida por aí, que já não sei mais da tua vida. Afirmo: sei-lá-dele. E minto ao dizer que só sei que você tá ficando com aquela amiga que eu tinha ciúmes porque alguém me contou – mas, no fundo, no fundo, eu mesma vi no teu Instagram essas coisas e deduzi isso após aquela foto de vocês juntos no show do Nando Reis. Cantou “Relicário” pra ela? Espero que não. Ou que sim. Eu não penso mais em você. Mas aumentei as mentiras, você sabe.


Hoje, eu sempre estou bem, sorrindo, com maquiagens impecáveis e sempre com a minha melhor roupa. Sempre rodeada de amigos bonitos – e gostosos – só pra se de repente numa noite dessas qualquer a gente se esbarre por aí e você veja o quanto eu tô bonita sem você. Deixei de mentir, não de te amar. Se não fossem as mentiras ninguém seria de verdade.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014



Case-se com um homem que deite no seu colo, de um jeito meio largado, meio descompensado, meio de quem pede ajuda porque o chefe é um mala e as coisas só dão certo porque ele tem você no fim do dia. Não escolha alguém que faz tudo por você, que vive por você, que atende todos os seus caprichos. Sabe por quê? Porque um cara desses deixaria de ser dele pra ser seu, se esqueceria da vida dele pra viver a sua e, cá entre nós, você quer somar, não é? Ou quer alguém que viva por você, não com você? Por isso mesmo é que você deve se casar com alguém que traga um novo mundo pra juntar ao seu e que te mostre como os seus planetas ainda podem ser desalinhados de uma forma bonita.

Case-se com um homem que te desperte. Da cama, do medo, dos pesadelos. Que te beije na testa com ternura e faça cafuné, mesmo sabendo que você odeia que enrolem o seu cabelo. Um homem desses que despenteiam, desses que deixam uma bagunça gostosa no meio campo. Queira um homem, um cara, um rapaz, seja lá o seu termo preferido, que tenha um olhar que não te atravesse. Alguém que vai olhar pra você e ver quem você é, sem construções idealizadas ou suposições construídas na fantasia. Sem olhares que atravessam e se desviam, que não encontram os seus olhos e caminham pelo seu corpo. Escolha os olhos daquele que sustenta o mundo quando te olha. Ele tem que ser forte, e talvez a força dele seja essa de te ajudar a dividir o peso do mundo nas costas, de te ligar no almoço pra dizer que te ama e que nunca se esqueceu de ti.

Queira um cara que vá se emocionar quando vê-la entrando na igreja. E que se emocione com você de pijama acordando. Que te ache linda independente do seu manequim e que se orgulhe de você pelas suas conquistas do dia a dia, até aquelas pequenininhas como conseguir passar do primeiro dia da dieta. Case-se com um homem que vá rir de você quando você fizer um escândalo por ter quebrado a unha ou por ter furado o dedo pregando um quadro na parede. Ele tem que ser do tipo que sabe que você não precisa dele, e por isso mesmo que fica. Fica e vai ficando, vai se alojando no sofá, vai deixando a escova de dentes e quando você for ver, ele vai ter aprendido alguma receita no Google pra tentar te impressionar. Valorize um homem pelo esforço dele, não só pelo resultado final. Você vai perceber que um homem que se esforça pra te ver feliz é um homem que vale mais do que qualquer Encantado que a Disney tentou te vender como homem perfeito. Desconfie de um cara sem defeitos. E aprenda: tipos perfeitos como os dos livros infantis não existem. O que existe são homens que, ao seu modo, conquistam você e fazem pender a balança pro lado das qualidades, enquanto você aprende a lidar com os defeitos.

Deseje um guri que seja louco. Não por você, mas pela vida. Gente louca pela vida gosta de explorar o mundo, a cidade, a rua de cima, o novo restaurante japonês da Liberdade e tudo mais. Gente que é louca pela vida entende bem de liberdade, companheirismo, amizade e todos esses sentimentos que só quem gosta de viver entende. Além disso, te garanto que gente assim tem um ótimo papo. Daqueles que não contam vantagem e ainda desenham na sua cabeça as cenas todas que alguém com muita paixão já viveu. Daqueles que fazem você se apaixonar sempre que falam da forma com que o mundo deles mudou desde que você chegou.

Por fim, mas não menos importante, case-se com um homem que te ame em detalhes. Nos cartões das flores, na careta da selfie, na camisa cafona que a sua mãe deu de presente, na vez em que ele percebeu que você tinha cortado o cabelo antes de você falar, nos pedidos de comida às duas da madrugada quando ele percebe que você tá morrendo de fome e cagou pra dieta, no anti-alérgico que ele carrega na carteira caso você precise. Case-se com quem te faça sentir que esse texto é pouco pra falar dele e te faça vontade de continuar a escrevê-lo, mesmo que você não seja lá muito boa com palavras, mesmo que você só saiba definir o que sente por ele como amor.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Palavras de um homem que deixou o amor partir…



''Você não sabe quem eu sou, mas eu sei quem você é… E só preciso de um minuto da sua atenção. 
Espero que saiba a sorte que tem. O quanto eu gostaria de estar na tua pele. Poder estar na mesma cama que ela todas as manhãs. Ajudá-la a acordar da má disposição matinal.
Espero que saiba que ela não vai falar com você enquanto não escovar os dentes. Não é por mal… é por medo de perder o encanto aos teus olhos. Que você a considere um ser humano comum.
Espero que saiba que ela gosta de aproveitar cada raio de sol, e que o café a deixa mal disposta.
Que escolhe a roupa que vai vestir na noite anterior, só para poder ter mais cinco minutos de sono pela manhã. Que o despertador toca cinquenta vezes até que se levante, e que mesmo assim, consegue chegar na hora.
Quero também dizer-te que ela adora histórias fantásticas. Mas não de terror! Que é capaz de saber o nome de todas as personagens de um livro antigo, mas que não se vai esforçar para decorar o nomes de todos os teus amigos à primeira…
Porque ela… ela é que sabe de si.

Você nunca será uma sorte na vida dela. Sorte é poder tê-la na sua vida.
Sabe? Ela não é romântica por natureza, mas uma demonstração espontânea da tua parte vai fazê-la fraquejar. Porque ela é segura e doce ao mesmo tempo.
Ela não sabe cozinhar, mas vai esforçar-se para fazer o teu prato preferido. E se não estiver bom, ela vai rir-se disso, em vez de corar.
E quando ela ri… quando ela ri eu tenho vontade de chorar. Não de tristeza, mas porque cada gargalhada é como uma nota musical que toca ao coração e me faz querer dançar.
Ela é tudo o que eu queria e nunca soube que tive.
Aprende que a arritmia que sentes com ela é normal!
E que a falta dela é um vazio igual à morte.
Espero que sejas tudo aquilo que eu nunca fui.
Espero que a trate bem. Porque se você partir o seu coração, vai perdê-la para sempre. 
Pudesse eu ter lido o futuro…''

quarta-feira, 25 de setembro de 2013



Sempre gostei de olhos grandes. Achei que eles enxergassem melhor a alma. Achei que eles me despissem com mais eficácia depois de algumas taças de vinho. Achei que eles fitassem melhor os meus, que também são bem grandes. Achei que eles deixassem transparecer melhor os vícios e virtudes do dono. Sabe aqueles requisitos pra lá de babacas que a gente coloca na nossa lista de características da pessoa ideal? Então, esse era só um – e o principal – deles. Eu também sempre disse gostar de caras altos – com pelo menos uma régua Desetec a mais do que eu. E magrelos – cujas costelas eu conseguisse ver enquanto estivéssemos pelados na cama depois daquele sexozinho delícia. E barbados – com pelos suficientemente viris para arrepiar o meu pescoço. E bocudos, e donos de olheiras que demonstrassem o cansaço, e branquelinhos, e tatuados.

Hoje faço uma recapitulação na lista de homens que realmente mexeram com o meu coração. Vejo que a grande maioria deles realmente tinha barba. E bocão. E eram significativamente mais altos do que eu – porque mais baixo, só se for anão. Alguns eram divinamente magrelos; outros, deliciosamente carnudinhos. Alguns eram realmente branquelinhos; outros, maravilhosamente mulatos. Cruzei também com algumas olheiras e tatuagens por aí. Mas nenhum, absolutamente nenhum dos homens que viraram a minha cabeça tinha olhos grandes. Todos eles eram donos de olhinhos simpaticamente pequenos – a ponto de eu ter que perguntar para o meu primeiro (e único) namorado se ele, com aquele campo de visão tão reduzido, realmente enxergava o mundo como eu. E aí vem a questão que tira o sono dos racionalistas do coração: se eu nunca me apaixonei por um homem de olhos grandes, em qual referencial eu me baseava para anunciá-los como minha preferência?

Psicólogos dirão que Freud explica –ah, o pai dela deve ter olhos grandes. Realmente tem. Céticos dirão que não é possível: pelo menos meu primeiro amor deve ter tido olhos grandes – e se eu disser que não lembro se meu primeiro amor foi Cauê ou se foi Rodrigo? E que nenhum deles tinha olhos grandes? Românticos se apropriarão de uma canção sertaneja dos anos 90 e dirão queessas coisas de paixão não têm explicação. Eu, como boa apaixonada – pela vida,  por você –tô com eles e não abro. O grande erro da imensa maioria dos corações é querer racionalizar tudo. É acreditar naquela balela da matemática dos relacionamentos, que insere dois corações numa ~sábia~ fórmula e defeca algum conhecimento sobre somar e subtrair, multiplicar e dividir, completar e transbordar. É achar que a tal da química, aquela interação louca que acontece entre algumas pessoas, tem uma fórmula pré-determinada, algo como um anel benzênico que serve de aliança de compromisso a todos os dedos. É esquecer que a base de todo e qualquer relacionamento é meramente humana, e que se um não quer, dois não transam. É ignorar que não há receita de bolo para um relacionamento feliz e duradouro e que ainda não inventaram fermento que fizesse crescer o coração.



Ah, a saudade… Há dias em que ela chega, puxa uma cadeira e te faz viajar em um mar de lembranças que te cria a doce ilusão de que você tinha a pessoa perfeita ao seu lado. E é nesse momento que você se sente mal, sente o cheiro do perfume, lembra a companhia diária que hoje não se faz presente, a voz, o sorriso… E tudo isso remete à ideia de que você nunca mais será feliz.

Os dias se passaram, como naturalmente havia de ser. Já faz quase um mês, mas você ainda segue preso(a) àquela data marcante que te faz sentir um grande frio na barriga e a sensação que conhecemos por “perder o chão”. Desde então, várias coisas perderam o sentido, e estar só virou algo torturante. Já não se tem mais a quem contar como foi o dia ou alguém para convidar para sair, mas o pensamento continua nele(a). As coisas dele(a) ainda estão na sua casa, e por um momento de carência, você acessa a lixeira de seu computador e restaura aquela foto dos dois. Para completar a fossa, seu player toca aquela canção que parece ter sido feita para vocês dois.

Cada um sabe a dor de ser o que é, mas quando alguém que amamos decide que nos deixar é a melhor opção, a saudade se torna um padrão para todos. Todos sentem saudade: saudade de um amigo, de um momento, de um lugar. Mas quando se sente saudade de amor, a dor parece ser umas três vezes maior. E isso se deve, basicamente, a duas coisas: à posse e ao costume. Eu tinha um(a) parceiro(a), eu tinha um(a) namorado(a), eu tinha um alguém – era meu (minha), e isso é indiscutível -, assim como eu tinha o costume de ligar e perguntar onde ele(a) queria comer, eu tinha o costume de mandar SMS pela manhã, eu tinha o costume de sair com aquela pessoa aos fins de semana. Ele(a) costumava ser meu (minha), mas hoje, eu estou só.

A grande verdade é que ninguém é dono de ninguém, e somente o tempo é capaz de te fazer perceber que talvez tenha sido melhor vocês dois se separem. Nenhum relacionamento acaba do dia para a noite – talvez os motivos floresçam com mais intensidade nos momentos anteriores à separação, mas eu costumo dizer que é tudo em cadeia. Ele já não ligava para ela com tanta frequência, ela já não costumava relatar seu dia inteirinho para ele, o número da amiga dele se destacava mais nas chamadas recebidas, enquanto o da namorada somente aparecia nas não atendidas. Os SMSs de carinho sumiram, e os dias (semanas) sem se falar não remetiam à saudade de que falo aqui. A dor, a sensação de tristeza, de não conseguir ir aos lugares aos quais vocês iam juntos estará com você sempre que você estiver sozinho, assim como a aceleração do coração e o frio da barriga que aparecem quando você reencontra seu amor.

E aí, meu amigo, vai de cada um. Ódio, tristeza, medo, ou qualquer outro sentimento é gerado pela necessidade de esquecer, de não se sentir bem ao estar perto de quem você queria ter ao lado durante a vida toda. Por fim, o tempo mostra que só nos resta uma opção: abrir o coração de vez e permitir que novos amores venham e troquem esta saudade pela vontade, aquela velha vontade de estar junto, de contar como foi o seu dia, de ligar, mandar SMS de manhã, de dividir sonhos. Afinal, se tu não quer, meu bem, tem quem queira.


Garganta fechada, estômago embrulhado, mãos suadas, falta de apetite, insônia. Um médico ficaria preocupado com tais sintomas, afinal, pode ser uma nova gripe, um novo vírus. E é. De certa forma. As unhas roídas, a carne dos dedos sangrando, derramando em cada gota desse sangue amargo um resquício da angústia que desola milhões todos os dias. Ah, o poder de um telefonema não atendido, de um SMS não respondido, de um sorriso não correspondido. É devastante. Pessoas convivem com essa bomba relógio diariamente, esse tic tac que não te abandona nem em um show barulhento. E por mais humano e natural que seja ficar nervoso, de vez em quando, é preciso lembrar que essa adrenalina, essa fogueira na barriga, precisa uma hora se apagar.

A vida é cheia de pessoas. Ser gente é assim mesmo, se relacionar. A gente começa desde cedo a ter contato, a depender do outro. Quando crianças, passamos de mão em mão, sem saber andar. Nossos primeiros grunhidos são emitidos na ânsia de dizer algo. Porque sempre queremos dizer algo a alguém. Eis eu aqui, dizendo algo a alguém. E esperamos, em troca, uma resposta. Qualquer que seja. Mas não somos preparados para sermos ignorados. Não somos instruídos a encarar nosso próprio silêncio, a nos olharmos de cara lavada no espelho do banheiro às 3 da manhã. E principalmente, não somos ensinados a ser autossuficientes.

Que fique claro, de antemão, que não se trata de não contar com ninguém. Não se trata de ser sozinho. Mas sim de, se for o caso, conseguir viver sozinho, em paz. Que seja possível tocar a vida após ser ignorado, chutado, trocado. É assim mesmo, passa no final das contas. E, por mais clichê que seja, a vida sempre traz algo melhor depois. Nada é insubstituível. Nada é maior que a sua paz, que a sua satisfação consigo mesmo. E se alguém está tirando seu sono, sua fome, sua energia, aproveite essa “tiração” de coisas e tire essa pessoa da sua vida. Não vale a pena sofrer. É óbvio que a gente sofre, chora, é inevitável. Mas não se permita passar muito tempo assim. Não é certo olhar para trás e se lembrar somente dos momentos de dor. Não é certo que uma pessoa tenha importância tal na sua vida, que uma ligação não atendida faça com que você perca todo o seu dia. Seu bem estar agradece, e seu coração também.

Então tire o dia pra fazer o que você gosta, pra se conhecer melhor. Tome um banho quente, passe aquela loção cheirosa no corpo, vista aquela roupa leve e que te faz sentir bem, desligue o celular e saia. Permita-se ficar só, ouvindo os sons da cidade, vá pra um lugar remoto, admire a paisagem e contemple o mundo, contemple a sua paz. Olhe para imensidão e se enxergue como só mais um ponto nesse universo gigantesco. Depois de se localizar, enxergue a sua dor como sendo menor do que você e, se você é pequeno perto do mundo, imagina a sua dor. Então você vai ver que nada é tão angustiante assim. Depois levante-se e experimente se sentar em uma mesa de bar, em uma cafeteria, sem ninguém. Pegar o cardápio e poder escolher o que quiser, sem se preocupar com o tempo para analisar as possibilidades. Ninguém vai estar esperando sua escolha. Só depende de você. Com calma, deguste o que pedir. Sinta os sabores. Sem olhar o relógio, sem se preocupar com a hora marcada. Seu compromisso maior tem de ser sempre com você. A paz interior é o bem mais precioso que você pode cultivar. E por mais que o mundo seja cheio de estímulos, às vezes, é preciso desacelerar. Deixe essa bomba de anseios, medos, carências e neuroses que está morando em você explodir de uma vez só. E com o perdão da paráfrase daquela canção do Gil, talvez essa bomba sobre você faça nascer um você de paz.