quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Palavras de um homem que deixou o amor partir…



''Você não sabe quem eu sou, mas eu sei quem você é… E só preciso de um minuto da sua atenção. 
Espero que saiba a sorte que tem. O quanto eu gostaria de estar na tua pele. Poder estar na mesma cama que ela todas as manhãs. Ajudá-la a acordar da má disposição matinal.
Espero que saiba que ela não vai falar com você enquanto não escovar os dentes. Não é por mal… é por medo de perder o encanto aos teus olhos. Que você a considere um ser humano comum.
Espero que saiba que ela gosta de aproveitar cada raio de sol, e que o café a deixa mal disposta.
Que escolhe a roupa que vai vestir na noite anterior, só para poder ter mais cinco minutos de sono pela manhã. Que o despertador toca cinquenta vezes até que se levante, e que mesmo assim, consegue chegar na hora.
Quero também dizer-te que ela adora histórias fantásticas. Mas não de terror! Que é capaz de saber o nome de todas as personagens de um livro antigo, mas que não se vai esforçar para decorar o nomes de todos os teus amigos à primeira…
Porque ela… ela é que sabe de si.

Você nunca será uma sorte na vida dela. Sorte é poder tê-la na sua vida.
Sabe? Ela não é romântica por natureza, mas uma demonstração espontânea da tua parte vai fazê-la fraquejar. Porque ela é segura e doce ao mesmo tempo.
Ela não sabe cozinhar, mas vai esforçar-se para fazer o teu prato preferido. E se não estiver bom, ela vai rir-se disso, em vez de corar.
E quando ela ri… quando ela ri eu tenho vontade de chorar. Não de tristeza, mas porque cada gargalhada é como uma nota musical que toca ao coração e me faz querer dançar.
Ela é tudo o que eu queria e nunca soube que tive.
Aprende que a arritmia que sentes com ela é normal!
E que a falta dela é um vazio igual à morte.
Espero que sejas tudo aquilo que eu nunca fui.
Espero que a trate bem. Porque se você partir o seu coração, vai perdê-la para sempre. 
Pudesse eu ter lido o futuro…''

quarta-feira, 25 de setembro de 2013



Sempre gostei de olhos grandes. Achei que eles enxergassem melhor a alma. Achei que eles me despissem com mais eficácia depois de algumas taças de vinho. Achei que eles fitassem melhor os meus, que também são bem grandes. Achei que eles deixassem transparecer melhor os vícios e virtudes do dono. Sabe aqueles requisitos pra lá de babacas que a gente coloca na nossa lista de características da pessoa ideal? Então, esse era só um – e o principal – deles. Eu também sempre disse gostar de caras altos – com pelo menos uma régua Desetec a mais do que eu. E magrelos – cujas costelas eu conseguisse ver enquanto estivéssemos pelados na cama depois daquele sexozinho delícia. E barbados – com pelos suficientemente viris para arrepiar o meu pescoço. E bocudos, e donos de olheiras que demonstrassem o cansaço, e branquelinhos, e tatuados.

Hoje faço uma recapitulação na lista de homens que realmente mexeram com o meu coração. Vejo que a grande maioria deles realmente tinha barba. E bocão. E eram significativamente mais altos do que eu – porque mais baixo, só se for anão. Alguns eram divinamente magrelos; outros, deliciosamente carnudinhos. Alguns eram realmente branquelinhos; outros, maravilhosamente mulatos. Cruzei também com algumas olheiras e tatuagens por aí. Mas nenhum, absolutamente nenhum dos homens que viraram a minha cabeça tinha olhos grandes. Todos eles eram donos de olhinhos simpaticamente pequenos – a ponto de eu ter que perguntar para o meu primeiro (e único) namorado se ele, com aquele campo de visão tão reduzido, realmente enxergava o mundo como eu. E aí vem a questão que tira o sono dos racionalistas do coração: se eu nunca me apaixonei por um homem de olhos grandes, em qual referencial eu me baseava para anunciá-los como minha preferência?

Psicólogos dirão que Freud explica –ah, o pai dela deve ter olhos grandes. Realmente tem. Céticos dirão que não é possível: pelo menos meu primeiro amor deve ter tido olhos grandes – e se eu disser que não lembro se meu primeiro amor foi Cauê ou se foi Rodrigo? E que nenhum deles tinha olhos grandes? Românticos se apropriarão de uma canção sertaneja dos anos 90 e dirão queessas coisas de paixão não têm explicação. Eu, como boa apaixonada – pela vida,  por você –tô com eles e não abro. O grande erro da imensa maioria dos corações é querer racionalizar tudo. É acreditar naquela balela da matemática dos relacionamentos, que insere dois corações numa ~sábia~ fórmula e defeca algum conhecimento sobre somar e subtrair, multiplicar e dividir, completar e transbordar. É achar que a tal da química, aquela interação louca que acontece entre algumas pessoas, tem uma fórmula pré-determinada, algo como um anel benzênico que serve de aliança de compromisso a todos os dedos. É esquecer que a base de todo e qualquer relacionamento é meramente humana, e que se um não quer, dois não transam. É ignorar que não há receita de bolo para um relacionamento feliz e duradouro e que ainda não inventaram fermento que fizesse crescer o coração.



Ah, a saudade… Há dias em que ela chega, puxa uma cadeira e te faz viajar em um mar de lembranças que te cria a doce ilusão de que você tinha a pessoa perfeita ao seu lado. E é nesse momento que você se sente mal, sente o cheiro do perfume, lembra a companhia diária que hoje não se faz presente, a voz, o sorriso… E tudo isso remete à ideia de que você nunca mais será feliz.

Os dias se passaram, como naturalmente havia de ser. Já faz quase um mês, mas você ainda segue preso(a) àquela data marcante que te faz sentir um grande frio na barriga e a sensação que conhecemos por “perder o chão”. Desde então, várias coisas perderam o sentido, e estar só virou algo torturante. Já não se tem mais a quem contar como foi o dia ou alguém para convidar para sair, mas o pensamento continua nele(a). As coisas dele(a) ainda estão na sua casa, e por um momento de carência, você acessa a lixeira de seu computador e restaura aquela foto dos dois. Para completar a fossa, seu player toca aquela canção que parece ter sido feita para vocês dois.

Cada um sabe a dor de ser o que é, mas quando alguém que amamos decide que nos deixar é a melhor opção, a saudade se torna um padrão para todos. Todos sentem saudade: saudade de um amigo, de um momento, de um lugar. Mas quando se sente saudade de amor, a dor parece ser umas três vezes maior. E isso se deve, basicamente, a duas coisas: à posse e ao costume. Eu tinha um(a) parceiro(a), eu tinha um(a) namorado(a), eu tinha um alguém – era meu (minha), e isso é indiscutível -, assim como eu tinha o costume de ligar e perguntar onde ele(a) queria comer, eu tinha o costume de mandar SMS pela manhã, eu tinha o costume de sair com aquela pessoa aos fins de semana. Ele(a) costumava ser meu (minha), mas hoje, eu estou só.

A grande verdade é que ninguém é dono de ninguém, e somente o tempo é capaz de te fazer perceber que talvez tenha sido melhor vocês dois se separem. Nenhum relacionamento acaba do dia para a noite – talvez os motivos floresçam com mais intensidade nos momentos anteriores à separação, mas eu costumo dizer que é tudo em cadeia. Ele já não ligava para ela com tanta frequência, ela já não costumava relatar seu dia inteirinho para ele, o número da amiga dele se destacava mais nas chamadas recebidas, enquanto o da namorada somente aparecia nas não atendidas. Os SMSs de carinho sumiram, e os dias (semanas) sem se falar não remetiam à saudade de que falo aqui. A dor, a sensação de tristeza, de não conseguir ir aos lugares aos quais vocês iam juntos estará com você sempre que você estiver sozinho, assim como a aceleração do coração e o frio da barriga que aparecem quando você reencontra seu amor.

E aí, meu amigo, vai de cada um. Ódio, tristeza, medo, ou qualquer outro sentimento é gerado pela necessidade de esquecer, de não se sentir bem ao estar perto de quem você queria ter ao lado durante a vida toda. Por fim, o tempo mostra que só nos resta uma opção: abrir o coração de vez e permitir que novos amores venham e troquem esta saudade pela vontade, aquela velha vontade de estar junto, de contar como foi o seu dia, de ligar, mandar SMS de manhã, de dividir sonhos. Afinal, se tu não quer, meu bem, tem quem queira.


Garganta fechada, estômago embrulhado, mãos suadas, falta de apetite, insônia. Um médico ficaria preocupado com tais sintomas, afinal, pode ser uma nova gripe, um novo vírus. E é. De certa forma. As unhas roídas, a carne dos dedos sangrando, derramando em cada gota desse sangue amargo um resquício da angústia que desola milhões todos os dias. Ah, o poder de um telefonema não atendido, de um SMS não respondido, de um sorriso não correspondido. É devastante. Pessoas convivem com essa bomba relógio diariamente, esse tic tac que não te abandona nem em um show barulhento. E por mais humano e natural que seja ficar nervoso, de vez em quando, é preciso lembrar que essa adrenalina, essa fogueira na barriga, precisa uma hora se apagar.

A vida é cheia de pessoas. Ser gente é assim mesmo, se relacionar. A gente começa desde cedo a ter contato, a depender do outro. Quando crianças, passamos de mão em mão, sem saber andar. Nossos primeiros grunhidos são emitidos na ânsia de dizer algo. Porque sempre queremos dizer algo a alguém. Eis eu aqui, dizendo algo a alguém. E esperamos, em troca, uma resposta. Qualquer que seja. Mas não somos preparados para sermos ignorados. Não somos instruídos a encarar nosso próprio silêncio, a nos olharmos de cara lavada no espelho do banheiro às 3 da manhã. E principalmente, não somos ensinados a ser autossuficientes.

Que fique claro, de antemão, que não se trata de não contar com ninguém. Não se trata de ser sozinho. Mas sim de, se for o caso, conseguir viver sozinho, em paz. Que seja possível tocar a vida após ser ignorado, chutado, trocado. É assim mesmo, passa no final das contas. E, por mais clichê que seja, a vida sempre traz algo melhor depois. Nada é insubstituível. Nada é maior que a sua paz, que a sua satisfação consigo mesmo. E se alguém está tirando seu sono, sua fome, sua energia, aproveite essa “tiração” de coisas e tire essa pessoa da sua vida. Não vale a pena sofrer. É óbvio que a gente sofre, chora, é inevitável. Mas não se permita passar muito tempo assim. Não é certo olhar para trás e se lembrar somente dos momentos de dor. Não é certo que uma pessoa tenha importância tal na sua vida, que uma ligação não atendida faça com que você perca todo o seu dia. Seu bem estar agradece, e seu coração também.

Então tire o dia pra fazer o que você gosta, pra se conhecer melhor. Tome um banho quente, passe aquela loção cheirosa no corpo, vista aquela roupa leve e que te faz sentir bem, desligue o celular e saia. Permita-se ficar só, ouvindo os sons da cidade, vá pra um lugar remoto, admire a paisagem e contemple o mundo, contemple a sua paz. Olhe para imensidão e se enxergue como só mais um ponto nesse universo gigantesco. Depois de se localizar, enxergue a sua dor como sendo menor do que você e, se você é pequeno perto do mundo, imagina a sua dor. Então você vai ver que nada é tão angustiante assim. Depois levante-se e experimente se sentar em uma mesa de bar, em uma cafeteria, sem ninguém. Pegar o cardápio e poder escolher o que quiser, sem se preocupar com o tempo para analisar as possibilidades. Ninguém vai estar esperando sua escolha. Só depende de você. Com calma, deguste o que pedir. Sinta os sabores. Sem olhar o relógio, sem se preocupar com a hora marcada. Seu compromisso maior tem de ser sempre com você. A paz interior é o bem mais precioso que você pode cultivar. E por mais que o mundo seja cheio de estímulos, às vezes, é preciso desacelerar. Deixe essa bomba de anseios, medos, carências e neuroses que está morando em você explodir de uma vez só. E com o perdão da paráfrase daquela canção do Gil, talvez essa bomba sobre você faça nascer um você de paz.


 A bossa nova tocando no rádio naquela manhã me lembrou do calor no peito que eu sentia toda vez que encontrava certo namoradinho de adolescência que eu tinha. Não era nem a presença dele em si, e nem as suas feições que não eram as mais atraentes. Era a paz que me invadia por dentro cada vez que ele me olhava nos olhos e perguntava se eu tinha dormido bem à noite. Ele era o rei dos pequenos requintes de delicadeza, como o bombom em cima do caderno de matemática, a mensagem desejando boa prova e, claro, o olhar, aquele cativo e carinhoso de todo dia que fazia meu coração ceder. Não eram os gestos em si, era a forma como aquilo tudo enchia meu copo até a borda de tudo que eu precisava naquele momento, a paz ou a tormenta. Nosso namoro não durou muito, mas deste dia em diante, passei a abraçar na minha vida pessoas assim, capazes de construir sorrisos sinceros na alma da gente. Pessoas bem especiais, basicamente encantadoras.Pessoas que nos fazem sentir especiais.

Descobri que o tal “borogodó”, indispensável em qualquer relacionamento que se preze, está fundamentado no encanto. Não é no rostinho de boneca, no presente de natal caríssimo, muito menos no abdômen sarado. Encanto mesmo vem de dentro. Gente que faz nosso coração gargalhar, que abraça quentinho colando o rosto, prepara o chá no fim de semana de gripe, que ri de si mesmo, cumprimenta o porteiro, que respeita o momento, o tempo, o vento. Gente que muitas vezes não sabe por qual bifurcação do caminho você veio, que tipo de bagagem você vem trazendo, mas tem certeza de que dedicação e respeito fazem parte do alicerce de qualquer relação, seja ela amorosa ou não. Gente que te basta.

Não sei dizer se o mundo anda carente de pessoas desse tipo ou se falta leveza para se permitir encantar. Existem hoje aproximadamente 7 bilhões de pessoas no mundo, e ainda assim minha vizinha não encontra uma companhia bacana para partilhar seu passeio no parque aos domingos.Ainda não encontrei alguém especial, ela diz suspirando. Sua ânsia encontra uma variedade de suspiros similares ao longo do planeta neste momento, e olhando pra ela, penso como ainda pode existir tanta gente solitária. O mantra do livro de cabeceira diz que quando a gente não sabe o que procura, não sabe reconhecer quando encontra. Será que não sabe mesmo ou estamos vivendo nossos dias com os olhares errados?

É o tal do enxergar com os olhos da face e não da alma. Tocar com a ponta dos dedos em vez de se permitir uma entrega completa, dessas que abraçam o todo e mudam a vida da gente. Porque beleza tem-se aos montes, encaixe de beijo na boca é fácil e se aprende; difícil mesmo é tirar o ar quando se vê. Complicado mesmo é ser apenas você para o outro, sem máscaras, maquiagens, rodeios, salto alto, camisa de marca, vodka na mesa da balada, foto no Facebook ou carro importado e, ainda assim, a sua essência bastar para o bem-estar do parceiro. Estas são as pessoas especiais: aquelas que sabem conceder seu encanto e aquelas que sabem reconhecer essa dádiva. Porque as pessoas especiais sabem pra quem aparecem. Tem que existir a sorte de reciprocidade e merecimento. Tem que saber enxergar além daquilo que a genética e o statussocial te permitem ver. Porque amor é assim, acontece ou não, mas se nosso coração está distraído com os atrativos “errados”, o acaso passa e a gente nem percebe. Este é o segredo daquele casal da faculdade que, aos olhos dos outros, pode parecer tão pouco convencional. Mais que a resposta para os desejos um do outro, eles são calma, aconchego e paz depois de uma semana de trabalho. São parceiros, amantes e amados; são especiais entre si, para si e só.

Sobre o meu namoradinho da adolescência, bom, o amor se foi, ele também, mas aquele sentimento de plenitude que o olhar zeloso dele provocava… Esse não só permaneceu como também se repetiu algumas outras vezes pelo caminho. Porque uma das delícias da vida é ter a oportunidade de esbarrar em várias pessoas especiais ao longo da travessia. Se o campo for florido, os sorrisos sinceros, os abraços apertados e os sentimentos genuínos, cedo ou tarde, um beija-flor pousa por ali e, dentre tantos que se foram, decide ficar. Se for o tempo da migração, nada se perde pra sempre. Pelo contrário, quando a mágica é real, conserva-se naquela porção gostosa do amor que sobrevive após o grosso do sentimento findar. Encanto é isso, a livre aproximação de alguém que tem toda a liberdade de quando bem entender, partir. Melhor ainda, encanto é a morada sem grades do amor, que permite o voo para jardins mais floridos – porém, é muito mais convidativa a doce e livre permanência.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Eu te amo, mas não sei como falar, como explicar, como agir, sei lá. Você murmura qualquer coisa e eu já me tremo de tanto nervosismo que a tua presença me causa. Me leve daqui. Me leve com você. Venha comigo. Mas não tenho para onde ir. Por mim, a gente pode ficar aqui, quietinhos dividindo sorvetes, cervejas, edredons e sonhos. Tanto faz a cama e o colchão. Você se importa tanto assim com isso?

Dia desses, eu tentei te esquecer de vez. Juro. Mas ai percebi que matar você em mim é o mesmo que morrer e continuar vivendo, sabe? Passaria o resto dos meus dias como zumbi recheado de dor e entalado de lembranças do que nunca viveu. Então, não morra não. Não antes de eu dizer que te amo. Não antes de você dizer isso para mim, também. Ou que vai pensar no meu caso. Ou que vai me levar contigo. Ou que ficará aqui comigo. Sei lá. Não se vá – nem para o céu, nem para a Nova Guiné – sem me dar mais uns minutos de esperança, uns carinhos no queixo e um descanso em teu ombro.

Olha aqui, vai. Eu tô me embolando as palavras, eu sei. Não porque eu sou confuso. Ok, eu sou confusa. Mas nem sempre. Não agora. Tá, agora eu posso estar um cado confusa. Mas é porque amar é, ao mesmo tempo, ter um dicionário a falar e não saber como. É como se meu cérebro desaprendesse qualquer idioma tolo. E eu fico aqui, gesticulando vírgulas que exigem a tua presença um pouco mais.

Fica, vai! Nesta semana, você anda tão triste que me aperta a alma. E eu não sei se você sabe, mas se estivesse comigo, cê seria mais feliz. Juro. Deu na TV, nos jornais, no tarot, no horóscopo, nas músicas e nos livros que ando lendo. Você gosta de ler, eu sei. Comecei a gostar porque vi você no ônibus viajando mais rápido naquelas páginas do que aquele motorista ruim de roda que faz o veículo parecer uma montanha russa. Sim, eu estava naquele ônibus. Dois bancos atrás de você. Não, não estou te perseguindo. Mas a gente sai a mesma hora e minha casa fica a dois quarteirões da sua. Não sei onde você mora. Mas é que você sempre desce no mesmo ponto e vai para a mesma portaria que imaginei que ali fosse a tua casa.




Eu estou falando feito uma doida, sem vírgulas ou pausas, inventando assuntos quaisquer porque estou morrendo de medo do silêncio oceânico que pode surgir e você desviar teus olhos dos meus, reparar na vizinhança, naquele moço de gravata cinza ou na senhorinha dando comida aos pombos, e, talvez, você reparando no moço de gravata cinza e na senhorinha dando comida aos pombos possa pensar que já não há mais nada a fazer aqui e decida ir embora porque não gosta de cinza, nem de pombos, nem de mim. Sei lá.

Cê tá com fome? Eu tenho um par de lábios e um tanto de sonhos que podem te alimentar. Juro. Como faz aquele macarrão que você gosta? Eu posso aprender, também. Mas te amo. E amar, além de ser algo que me deixa mais confuso, nervoso e gago, deve ser aprender a ser o mestre dos desejos do outro. Assim, só para te agradar, saber? Isso é amor. Você sabe. Ou acho que sabe. Mas, de qualquer forma, gostaria que soubesse que eu te amo. É, amor. Sem aqueles coraçõeszinhos infantis da quarta série. Ou musiquinha bonitinha por aqui. É amor. Ponto.

Entendeu alguma coisa? Não? Ok, perfeito assim. Se você entendesse, eu ficaria triste por ter conseguido explicar algo sem explicação. E é isso: de onde eu vim, sentimentos são inexplicáveis, mas explicam todo o resto. Amor é um sem sentido sentir e dar sentido a tudo. E este tudo, agora, é você. Juro.


Você tinha o mundo num sorriso. E foi tão fácil gostar de você que eu não entendo até agora como eu demorei tanto pra me deixar ceder. Você era sóbrio demais pros meus modos. Conduzia cada palavra pra algum lugar certo e eu ali, perdida, no meio de um bando de gente que não era você. A vida é maravilhosa, querido e eu só consegui acreditar nisso minutos depois de você. Da surpresa. Do seu rosto gentil me olhando e eu sei que você tá com medo, mas vem comigo, e eu não parava de tremer e tenho certeza de que você não percebia o meu nervosismo do seu lado. Mãos, braços, beijos, abraços e uma ternura desconhecida. O que eu vim fazer aqui mesmo? Continuava perdida e você me joga num labirinto. Como é que eu faço pra sair daqui com você? Achava que você só iria me confundir mais ainda, mas você está terrivelmente enganada, meu bem. Foi confusão e euforia. E eu senti vertigem.




Abri os olhos e tinha você ali. E o seu sorriso ainda era o mundo e eu já não via mais ninguém em volta. Fomos ignorados, mas será que eu conseguiria ignorar o meu estômago revirando? Tive ânsia de vômito e sei que nessas horas o seu romantismo deve ter falhado, mas fica calma que eu te levo embora ou pro banheiro, você quem sabe. Respirei fundo e você riu. Ninguém me olhou tão fundo assim nos olhos e se perdeu de mim tão rápido como você. Eu respirava fundo e tentava entender onde as minhas convicções tinham ido parar. Tá tudo bem com você e eu queria dizer que não, que eu tava sentindo umas coisas aqui dentro que fazia tempo que eu não sentia e você quer uma água? eu vou buscar, mas sei lá, você iria sumir no dia seguinte ou me aparecer com alguma coisa diferente de mim que eu deixei pra lá. E senti vertigem mais uma vez. Porque eu não esperava nada daquilo. Nada de você, nem nada de mim. E Nunca esperei tanto por alguns minutos na vida. Daí você chegou, eu tava procurando por você, fica aqui comigo, e por mim tava bom. Coração acelerado e mãos tremendo e o seu sorriso continuava ali. E foi o vem cá mais doce que eu já ouvi de alguém. Pela primeira vez, eu queria ser cuidada ao invés de cuidar de alguém. Ao invés de evitar alguém que me soltasse dum pulo de Bungee Jump.




Você sabia que tinha sido o primeiro desses, desses caras que mexem comigo da forma que mexeu, desses pra quem eu escrevo num caderninho de capa rosa guardado escondida nas minhas coisas. No exato instante em que me deixou em casa você soube. Afrouxou o cinto de segurança pra me dar boa noite e um beijo. E insegurança. Sorriu como se pudesse fazer sol de noite. Você ainda tem o sorriso no mundo. Será que eu te vejo dia desses?, por mim você nem tirava os olhos de mim, rapaz. E já não era mais confusão nem euforia. Eu sorri de um jeito que nunca tinha sorrido antes pro espelho assim que você arrancou com o carro. E nem precisava de um espelho pra constatar isso. Pedi desculpas por ser tão estrambelhada e eu podia sentir você achando graça de mim de longe – eu mesma sentia.






Dormi com medo de pensar demais em você, pensar demais em toda essa correria confusa e inesperada que sacudiu meu mundo de um minuto pro outro, pensar demais em como eu lidaria com isso e essa era a primeira vez em que tive medo de alguma certeza e prometi pra mim mesma que não queria que você ficasse na minha cabeça. Rezei – nunca rezava – e depositei toda a minha fé num pedido controverso: eu não posso querer esse rapaz, meu Deus. Não daquele jeito. Com um sorriso do tamanho do mundo. Eu sairia de mãos vazias, tendo que compartilhar o mundo no seu rosto com os outros. Eu pedi – nunca pedia – pra não sonhar com você.

Impossível.

Acordei sorrindo o mundo.

Foi emoção e poesia. E eu não senti mais vertigem.

terça-feira, 14 de maio de 2013



Eu não espero que você me entenda.

Toda essa loucura de guardar sentimentos que não conseguimos nomear é por demais complicada. Esse monstro enorme que esmaga meu peito quando olho sem pretensão através da janela e constato que o mundo apenas continua rodando. Deveria ser simples. O mundo acontece. Nós acontecemos. Em meio a circunstâncias insanas e inexplicáveis, nós simplesmente acontecemos. Tem tudo pra ser simples. Mas não é.

Mesmo que você não fique, obrigada por voltar. Ainda que você não me procure mais, que não me ligue no dia seguinte. Ainda que você foda minha vida e me faça sofrer feito louca, obrigada por fazer com que cada milímetro do meu corpo se manifeste em sensações incompreensíveis e maravilhosas. É bem verdade que já fazia algum tempo que ninguém arrancava de mim alguns sorrisos sinceros.

Eu vou finalmente andar por aí com o peito cheio de novo. Se de tristeza ou de amor, isso eu não sei. Talvez um pouco dos dois. O mais importante é que eu vou voltar a achar que o céu é a metáfora mais linda que existe no mundo. Vou imaginar as histórias felizes e inusitadas que existem por detrás dos rostos que eu trombar na rua. Vou sorrir para crianças correndo e gritando, para carros passando em alta velocidade em poças de água e cachorros com as patas sujas pulando no meu jeans. Amar alguém não é só amar alguém. É amar o universo e tudo o que ele tem de feio e sem graça. É sentir a dor do mundo inteiro dentro do peito e achar simplesmente encantador. O amor é mais louco do que a própria loucura.

Não amar alguém para mim é estar na Sibéria. É permanecer nua em meio às calotas polares. No calor cáustico do mais quente deserto e sem água. Por isso, eu entendo se você sair correndo, com medo da extravagância de amor que eu sou quando amo alguém. Eu extrapolo limites aceitáveis e fantasio céus de inferno. Eu não sei mesmo amar um pouquinho, com doses controladas, desejar com conta-gotas. Eu sou uma piscina de exagero, e tem muita gente que acha que não vale a pena pular. Se não quiser pular, eu te perdoo. Você tem que ter certeza de que quer nadar, para não achar ruim comigo caso se afogue. Não se preocupa em ir embora. Você vai viver sua vida, e ela vai ser bonita mesmo longe de mim. Você nasceu para ter uma vida bonita com qualquer pessoa. Eu vou ficar tristíssima por algum tempo. Vou chorar ouvindo Alcione e me arrastar por azulejos gelados, arranhando meus joelhos, olhos inchados. Só não te culpa, porque é por isso que eu vivo. Para sentir coisas imensas, incontroláveis, sentir meu peito inchado, ainda que seja de tristeza. Eu prefiro quase morrer de uma overdose de sentimentos complexos do que viver pra sempre no mais ou menos.

Hoje eu vou te pedir pra ficar. Com toda a sinceridade que existe no meu coração: eu quero que você se torne minha casa. Mas se mesmo assim o seu coração deseja ir embora, não pense duas vezes. Não acho que seja mesmo fácil me estancar. Se aquieta, porque eu não vou enlouquecer, eu tenho minhas causas, minhas transas, minhas lutas, meus projetos interrompidos. Eu tenho uma vida fora da vida que eu queria ter com você. Tenho amigos hilários, e Eles dão conta da minha inconstância, de alguma forma inexplicável.

Então, se você não consegue ficar, pode ir despreocupado. Saiba: você vai ser pra sempre um capítulo especial da minha história. Vou esquecer a sua existência por algum tempo, para então, numa tarde tediosa de domingo eu te lembrar e te ler inteiro, fixando a minha atenção nas tuas partes confusas, nos teus momentos brilhantes, nas linhas mal escritas pela urgência do nosso desejo.

Você é maravilhoso, nunca duvide. Se a minha piscina te assusta, alguma te fará mergulhar e nadar feliz.

E eu? Bem, eu continuo aqui, no meu rumo para ser oceano.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

547 Dias Com Você



Dias ensolarados. Dias nublados. Dias frios. Dias quentes. Dias de tornados e furacões. Dias estrelados. Dias intensos. Dias felizes. Dias com você. Porque eu sempre soube que nossos dias seriam assim.

Aprendi o que é o amor, o que é o respeito, o que é companheirismo. Aprendi que sou capaz de esquecer os dias nublados e viver os ensolarados, e isso é muito mais fácil com você por perto.

Aprendi que a vida é maravilhosa, e que não existe nada no mundo que seja tão pleno quanto viver. Como dizem por aí, muita gente apenas sobrevive.

Aprendi que o silêncio é o maior aliado dos dias de mau humor. E que compreender o silêncio do outro é divino.

Aprendi que o mundo não vai acabar porque você deixou a pasta de dente aberta, ou por que não acertou o cesto de roupa suja. Esses são meros detalhes.

Aprendi que não é porque o despertador tocou que eu tenho que saltar da cama – descobri a delícia que é sentir sua pele roçando na minha uns minutinhos a mais.

Aprendi que nem sempre o outro vai te agradar, e nesses dias eu lembro que somos seres humanos e diferentes. E que essa é a magia, a singularidade absoluta do ser.

Aprendi que a conquista diária é a receita para uma vida longa conjunta. E que não adianta achar que existe um procedimento para o amor, as respostas estão sempre do lado de dentro.

Descobri que é possível sentir tesão todos os dias pela mesma pessoa.

Aprendi que nem sempre as pessoas vão entender, que muitas vezes elas vão nos criticar. Mas aprendi que a nossa atitude é que faz a diferença.

Decidi que a eternidade não existe até ontem. E, acima de tudo, decidi que caminharei de mãos dadas contigo, mas, que se um dia encontrarmos uma bifurcação e decidirmos seguir em caminhos opostos, aí sim, os dias que eu vivi contigo se tornarão eternos.